
Maturidade é algo que se constrói
Como podemos pretender que nossos jovens comecem a pensar no futuro, se não nos preocupamos com uma educação cuidadosa?
Um estudo aprofundado do perfil jovem, coordenado por Heloisa A. Campos, especialista em psicologia Clinica, revelou alguns elementos que chamam a atenção e que podem servir para a nossa reflexão. Partimos da constatação que hoje, as fases da vida da adolescência e da juventude estão se prolongando cada vez mais, com uma conseqüência lógica: tomar a decisão de realizar um projeto de vida, uma vocação – seja matrimonial, de consagração, ou mesmo profissional – acontece bem mais tarde. Diante desse fenômeno podemos perguntar: este quadro tem raízes no passado, ou é fruto da nossa sociedade moderna? Quando nós adultos, pensamos no tempo da nossa adolescência, vemos que assumimos responsabilidades que são impensáveis para os adolescentes de hoje. Temos a consciência de estar falando de épocas complemente diferentes. No passado, família e sociedade exigiam de nós outro perfil, com uma educação mais rígida e mais dependente, sem mais dependente, sem a influencia das mil e uma opções e atrações de lazer que se tem hoje. Portanto, o caminho era aquele, traçado pelos pais, pela escola e pela Igreja. Então já podemos dizer que em grande parte, o culpado desta situação é o sistema capitalista e consumista em que vivemos. E isto nos ajuda a responder a pergunta que formulamos acima: este quadro tem raízes no passado ou é fruto da nossa era moderna? Sem dúvidas, o fenômeno referente a essas etapas da vida, é fruto da modernidade atual.
Vocação é coisa séria
E qual é a época mais correta? Não se pode julgar se esta é melhor do que aquela. Nós apenas tentamos entende-las para dar uma resposta aos nossos dias. Certamente em ambas vamos encontrar aspectos positivos e negativos. No passado, exigia-se uma postura adulta de quem ainda não estava pronto para assumi-la; então, era necessário crescer depressa E agindo assim, muitas vezes queimava-se uma etapa da vida, com todas as suas peculiaridades. Conseqüência: não era raro ver pessoas adultas com comportamento de adolescente. Hoje, que não se exige tão cedo certas responsabilidades, temos a impressão de que as etapas da adolescência e da juventude estão se prolongando demais. Acaba-se por delegar aos pais e familiares aquilo pelo qual eles já deveriam estar respondendo; e isto gera, muitas vezes, acomodação e alienação. O olho equilibrado dos pais e educadores deve estar sempre alerta – nem oito, nem oitenta. O correto é cada fase da vida com sua idade, sua maturidade, seu comprometimento e suas responsabilidades. Se não acontecer uma educação cuidadosa, como podemos pretender que os nossos jovens, rapazes e moças, comecem a se preocupar com a construção do seu futuro? A questão vocacional, seja matrimonial, consagrada e mesmo profissional, exige seriedade e discernimento; processo que não pode ser muito tardio. Antes ainda de ser um compromisso com Deus e com a sociedade, a resposta vocacional é um compromisso assumido consigo mesmo e com a vida. Não estamos neste mundo à toa. “O ser humano só será maduro quando sentir que colocando o seu tijolinho, está fazendo a sua parte na construção do mundo” (Saint Exupéry).
Rosa Clara Franzoi, MC, é animadora vocacional
Fonte: Revista Misões
OBS: Imagem da internet
